terça-feira, 5 de maio de 2009


... relação anormal e ostensiva de necessidade vital e doação completa, de sentir sem tocar, escutar sem  ouvir, enxergar sem ver. Já precisava dele mesmo sem conhecê-lo e já o tinha dentro de mim desde que nasci ("viviele": eleu, euele, elela, elenós). Que possamos "ser-nos", sempre. 


domingo, 3 de fevereiro de 2008


Algo de Augusto dos Anjos ou de Schopenhauer havia penetrado-a no dia do espelho. Ela precisava de reflexos intensos de Cecília Meireles ou solavancos de Vinícius mas o que tinha
eram apenas momentos de emoções superficiais em que tentava se jogar. Até que gostava,
mas quando se concentrava para que aquilo fosse real, via o espelho. O reflexo era menos turvo, mais límpido e a conclusão era a mesma.

Os dias resumiam-se à superficialidade informativa e já não resta profundeza literária nem nos pedaços. Murcharam o reflexo, ninguém se importa com seda nem botões. Catar os cacos e remendar os pedaços foi sempre a solução, mas enterraram as agulhas, morreram os retalhos.

 - Impossível fazer costura ou poema nesses tempos.

domingo, 2 de dezembro de 2007

A menina que tenta hibernar

A menina entregava-se ao sono, dormia pesado.
Ela acreditava que ao acordar perceberia que nada daquilo ocorrera, acordaria sem precisar costurar um riso. Mas quando acordava via que dormir nao adiantava e a mágoa se tornava cada vez maior... ter chegado onde chegou, o sono - porque ele insistia em despertar? - , o modo como as coisas se deram, o que foi, o que foram, o que fostes, o que ela achava que eles eram...
Dormia de novo com uma fé em qualquer coisa ainda mais diminuída, até que o sono voltasse a lhe despertar e lhe decepcionar com o seu não-antídoto.
A decepcao é a mais vazia das sensacoes... podia pingar um pouco de ódio, pena, medo, ternura nisso tudo, mas nao, era ela, ela seca, ela só, tão-somente ela, um vazio que doía.

terça-feira, 30 de outubro de 2007

A cabeça ferve, andei passando de raspão eu-comigo-mesma
e por isso tenho escrito pouco
é preciso adoecer, vomitar mais
a náusea tem sido árdua, seca, mas nao tem sangrado
é preciso sangrar, gota à gota e que não cesse.
Encontrar-me-ei, calada
e sangrarei, muito
até que suba-me a boca o gosto ácido da glória interior
e então calar-me-ei, ainda,
engasgada com um enorme sorriso contido,
serei eu-comigo-mesma.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Para a menina dos olhos tristes.

Anda menina falante de olhos triste,
emudece o mundo com tua eterna alegria
Vem da terra do nunca
e brinca, roda, dança aqui pertinho.
Pois é menina, vem,
que logo o hoje acaba
e não existirá amanhã
sem os encantos da estrela,
os primeiros raios de sol.

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Saudação à nova escova de dente.







- vieste, nada parece tão só.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Crime Doloso ou Culposo?

01. Existirá dolo, quando se verificar o emprego de qualquer sugestão ou artifício com a intenção ou consciência de induzir ou manter em erro.

02. O dolo é toda a conduta que busca o resultado ou que o agente assume o risco de produzir. É a vontade livre de e consciente de realizar uma conduta buscando um resultado.

03. O dolo é vontade, mas vontade livre e consciente. A culpabilidade e a imputabilidade constituíram o objeto do dolo.

04. Age, pois, dolosamente quem pratica a ação ( em sentido amplo ) consciente e voluntariamente.

Analisados os autos, declara-se crime doloso a partir de 28.05.2007 o referido: "Vontade de você"